companhia das letras

Resenha: Libertinagem, de Manuel Bandeira

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta

ISBN-13: 9788526018891
ISBN-108526018892
Ano: 2013 / Páginas: 122
Idioma: português
Editora: Global

Alguns poemas deste livro foram anteriormente publicados em revistas do movimento modernista de 1922 como Estética, Klaxon e Revista do Brasil. Com efeito, em Libertinagem é possível captar a sedimentação do papel central exercido por Manuel Bandeira nesse movimento que tanta importância teve em nossa literatura.
A liberdade formal é sem dúvida uma das grandes marcas deste livro, embaladas pelos temas mais simples que remetem à pureza da infância e às vezes a uma fina ironia ou humor irreverente.
Também um tom de “brasilidade” ecoa em poemas como “Mangue”,“Belém do Pará” e “Evocação do Recife”, traço característico das mais importantes manifestações literárias dos anos 1920. Poemas como “Vou-me embora pra Pasárgada” e “Pneumotórax”, por sua vez,se enraizaram profundamente na alma de gerações de leitores ao longo das últimas décadas e firmaram o nome de Manuel Bandeira entre nossos maiores artistas da palavra.

RESENHA
A poesia de Bandeira neste livro, caracteriza-se por um estilo variado, indo desde o soneto parnasiano à poesia concretista. Por outro lado, conservou, no estilo de escrita, um espírito moderno com ritmo mais regulares. O seu poema é refinado por um toque característico de Bandeira, a simplicidade. Observa-se, constantemente, nos poemas, a paixão do autor pela vida. Para FEIO (2012) na poesia contida em Libertinagem “estão presentes a infância, a terra natal, a cultura popular, a doença, a preocupação com a morte, a defesa da linguagem modernista, a sensualidade, o lirismo tradicional, o antilirismo, a reflexão existencial, a infância e o humor.”.

O modernismo trouxe, sob uma visão crítica da história, o nacionalismo, porém com uma poesia que se aproximava da prosa, do cotidiano e do humor crítico e irônico. Pode-se notar fortemente essas características no poema POÉTICA, que funciona como um protesto.

“Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expe-
[diente protocolo e manifestações de apreço
[ao Sr. diretor
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no
dicionário
[o cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os enumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítco
Do lirismo que capitula ao que quer que seja for a de si
[mesmo.
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
[exemplar com cem modelos de cartas
[e as diferentes maneiras de agradar
[às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.”


Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasceu no dia 19 de abril de 1886 no Recife. Ele foi um grande poeta, crítico de arte e literatura, professor de literatura e tradutor brasileiro.Libertinagem, livro de Manuel Bandeira publicado em 1930, é composto por 38 poemas. Nota-se na sua escrita, a tentativa do autor de romper as barreiras tradicionais, acadêmicas e passadistas da época, sendo considerado, assim, o livro mais vanguardista de Manuel Bandeira. É considerado o primeiro livro do autor totalmente modernista, demonstrando características como humor, linguagem coloquial e o cotidiano.

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