[Resenha #308] A virgem que não conhecia Picasso, por Rodrigo Rosp

ROSP, Rodrigo.​​ A virgem que não conhecia Picasso. Porto Alegre: Não editora, 2007. 96 p. ISBN​​ 9788561249007.

Coletânea de 15 contos unidos pelo mesmo tema. O sexo está presente nas histórias que, no entanto, não se submetem a ele. Ao contrário: são narrativas fortes com personagens vivos, que se enfrentam em constante jogo de sedução. A ideia é proporcionar ao leitor o máximo de prazer.

A virgem que não conhecia Picasso é uma miscelânea de contos escrita pelo autor carioca Rodrigo Rosp, publicado no ano de 2007 através da​​ Não editora, selo da editora​​ Dublinense.

A obra é mais uma prova de que Rosp possui uma linguagem direta e astuciosa ao desenvolver seus manuscritos, assim como teceu em “fingidores” (2013), Rops nos proporciona uma aventura literária​​ de alta densidade psicológica. O livro transita entre o sensual e o erótico, mas sem se entregar a eles, em doses garrafais, aos poucos, de gole em gole, seduzindo e tomando o leitor sob a ótica daquilo o que mais lhe é conhecido: o poder da sensualidade.​​ O livro é uma quebra de tabu ao trazr para discussões histórias que giram em torno de virgens, prostitutas, liberais, sex-shop, ingenuidade, fogo e paixão, tudo o que todos fazem entre quatro paredes mais ninguém comenta de fato. Este manuscrito abre precedentes para debate acerca do poder de produção da nova literatura e seu alto poder de persuasão através de uma narrativa bem construída e elaborada, repleta de dualidades de sentido. A obra transita entre o clímax do êxtase do tesão do leitor até a trágica constatação dos fatos. Uma escrita que mexe profundamente com a capacidade do leitor em produzir uma sequência de acontecimentos na cabeça seguido pelo desejo e guiado pela satisfação.

O livro tem um alto poder de convencimento pois ele trabalha com o cômico e com o trágico transitando em uma via de mão única, onde tudo é possível, inclusive nada. Os roteiros desenvolvidos por Rosp trabalham a possibilidade da transição do manuscrito para realidade, em síntese, podemos dizer que sua narrativa pode – e certamente já ocorreu – com alguém fora da ficção. Um don Juan​​ que brinca de seduzir e acaba se apaixonando, um homem que testa a fidelidade da mulher, prazer e exploração dos sentidos –​​ qual a grande pedida para hoje?​​ Independente do que deseja estes contos​​ podem dar conta do recado.

Eu já havia comentando noutras oportunidades que aprecio a capacidade de Rosp em desenvolver grandes enredos com tanta facilidade, o autor consegue captar nossa atenção através da criação de situações e personagens que se tornam​​ palpáveis, ele nos ganha através do seu poder de criação do cômico e do trágico em suas narrativas, e isso é um fascínio pelo qual continuo me alimentando do material produzido por Rosp. Poderíamos dizer que Rosp consegue “dar conta do recado” e “entregar​​ um resultado satisfatório” ou até mesmo que “ele manda muito bem no que faz”, enfim, são inúmeros os comentários que se fazem a partir do momento que o referenciado seja algum livro escrito pelo autor.​​ 

Leitura indispensável para quem deseja ler e se aprofundar em um enredo breve, bem humorado e descontruído.

AUTOR

Nasceu no Rio de Janeiro em 1975. Em 1980, naturalizou-se gaúcho. Ainda no colégio, iniciou rituais de escrita, vício que jamais conseguiu abandonar. Nas salas de aula da UFRGS, fez graduação em​​ publicidade e propaganda e pós-graduação em estudos lingüísticos do texto. Ainda, cursou MBA em marketing na ESPM.

Rodrigo Rosp é autor das novelas Traçando a bissetriz e A pedra de Magnabosco. Na internete, teve contos selecionados nos sítios Bestiário e Armazém literário e escreve críticas de cinema para o Cine players. Além disso, participou dos livros Ficção de polpa (com o conto Lingüista) e Guia de leitura – 100 autores que você precisa ler (com ensaio sobre Vladimir Nabokov).

 

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Graduado em Língua Portuguesa, redação, literatura & Ciências sociais. Pós-graduado em literatura contemporânea e geopolítica. Blogueiro, ativista, pai, influenciador digital literário (@postliteral), fundador do @proximoparagrafo (proximoparagrafo.com.br), CEO majoritário do Post Literal (@postliteral), cinéfilo, fãs de gatos e apaixonado por filmes, séries e tudo o que tiver ligação com design.

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