Justo a mim me coube ser eu

Malfada sempre me intrigou, como pode uma protagonista ser proprietária e detentora de tantos pensamentos revolucionários? Onde estava a cabeça de Quino ao produzir uma personagem com uma consciência tão bem desenvolvida como a de Mafalda?​​ Será que é uma forma do autor mostrar-nos que a preocupação ambiental, social e humana deve vir de berço, criação ou que seja algo que se aprende cedo?​​ Jamais saberemos. O fato é que eu detenho quase que todas as preocupações, seus pensamentos me perseguem, é como se eu tivesse o mesmo dilema enfrentado por Mafalda, afinal, justo a mim me coube ser eu? Não que eu tenha imensos e incontáveis problemas, a verdade é que eu levo uma vida boa – até demais – o problema nasce quando desaceleramos. O que acontece com o silêncio quando decidimos nos calar? Você provavelmente dirá que o silêncio irá permanecer, e isso é fato. O problema de nos calarmos perante uma problemática que deve-se ser descontruída é justamente este: o silêncio. O problema de instaurar-se o caos e uma problemática em uma sociedade ou meio “x”, é que ao habituar-se com o problema em questão, instaura-se o silêncio, afinal, todos habituaram-se com sua presença, mas cabe a nós quebrar o silêncio, romper as barreiras e ir em frente atrás das mudanças, que como sabemos, são muito necessárias. Há tantos tabus para quebrar, que eu nem sei por onde começar, apenas uma vida não será o suficiente.​​ 

Eu poderia citar uma infinidade de problemas que acometem os meus dias no campo social e pessoal, mas isso seria muito limitante, acredito que os problemas pelos quais estamos passando tenham o poder de sobrepassar qualquer problema de qualquer pessoa, afinal, um colapso na saúde pública, a morte de milhares de pessoas e a incerteza diária do amanhã com certeza preocupam muito mais do que o valor do petróleo, o valor das contas de casa ou quando vence o aluguel. Permanecer vivo é preocupação contemporânea.​​ 

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O isolamento causou uma inversão de valores que há muito tempo foi sagrada: o lar. A preferência das pessoas hoje em dia é pela casa do outro, pela rua, pelos eventos ou por qualquer outro lugar que não seja a própria casa,​​ irônico,​​ pois por muito tempo a casa tornou-se o berço acolhedor de muitos nos momentos de angustia ou descanso. Se tem um tempo em que devemos nos preocupar em ficar em casa é agora.

Se levarmos em consideração o atual quadro político do Brasil iremos nos preocupar na mesma medida em que Mafalda se preocupa, afinal, o que observa-se é a ausência de posicionamento por parte do presidente com os problemas do Brasil. O atual Presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) revela em seus discursos uma completa ausência de preparo para governar. Sempre que um ministro inicia um bom trabalho – o que significa que o posicionamento do ministro se opõe ao pensamento do presidente – ele é demitido. O mesmo pode ser observado em seus posicionamentos para com a imprensa, onde para Jair, as perguntas ​​ são sempre feitas sem fundamento ou de repórteres do Pt ou comunistas – que é como ele se refere a qualquer pessoa fora do seu grupo de apoio —.

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Foto: Quino / Mafalda

 

Ontem foi ao ar uma publicação que procurava mostrar o quanto o quadro de isolamento pode ser considerado um presente (leia) por parte de quem tem onde se abrigar. Na publicação em questão, se pode observar que todos os problemas sociais que surgiram nesta pandemia estão sendo resolvido mediante mobilização de civis e empresas de forma autônoma, ainda que todos estejam sendo afetados por consta da economia. O silêncio do presidente não é somente uma vergonha para o país, mas é mortal. Enquanto o presidente se cala muitas pessoas morrem pelo Covid-19, e alguns, pela de fome. O auxílio emergencial que já​​ pagou aproximadamente 3 milhões pessoas, está em atraso com todo o resto do Brasil, o que ocasiona um colapso de desemprego, fome e miséria entre aqueles que necessitam sacar o dinheiro para continuar vivendo de forma digna, porém, aparentemente,​​ o governo pretende vetar o processo de auxilio, o que pode ocasionar um​​ colapso de miséria pelo Brasil.​​ 

Em períodos como este eu só consigo me perguntar:​​ justo a mim me coube ser eu?

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Graduado em Língua Portuguesa, redação, literatura & Ciências sociais. Pós-graduado em literatura contemporânea e geopolítica. Blogueiro, ativista, pai, influenciador digital literário (@postliteral), fundador do @proximoparagrafo (proximoparagrafo.com.br), CEO majoritário do Post Literal (@postliteral), cinéfilo, fãs de gatos e apaixonado por filmes, séries e tudo o que tiver ligação com design.

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