Diário da quarentena: 92º dia

92º dia de quarentena

Antes de tudo: gostaria de deixar registrado que SIM, este é o meu primeiro registro sobre como me sinto sobre a quarentena, porém, prometo postar diariamente até o final de toda esta pandemia. Siga-me os bons.

Hoje tive um ritual mágico, acordei, me levantei ​​ e preparei um chá, o nascer do sol estava lindo, não sei se ele sempre nasce às 6:36, mas este foi o horário em que ele brotou na janela do meu quarto pouco antes de eu me levantar. Pouco depois de experimentar de um frescor sem precedentes que só o tempo fresco pode proporcionar, tive um surto de fúria seguido de diversos chiliques, honestamente eu me senti uma criança de oito anos que se incomoda quando não sintonizam a tevê no canal em que ela assistir, ou quando se recusam à leva-la em determinado lugar: o chá acabou. Eu não funciono sem chá, ele age em meu organismo como uma espécie de calmante para que eu não atire nenhuma cadeira em ninguém em casa, afinal, estar em isolamento é estar obrigado à conviver com todos da sua casa, de forma obrigatória, e não, eu não me importo e nem ligo para aqueles discursos motivadores de aproveitamento de tempo ao lado da família, para que possamos estar mais unidos. Moramos em um ​​ cubículo, se eu quero transitar de um cômodo para outro, tropeço em alguém – sempre – mais unido do que isso impossível.​​ Hoje tive uma conversa séria com todos em casa, esta reunião só abriu meus horizontes e me fez refletir sobre como eu gosto de conversar com as plantas que costumo regar pela manhã e ao fim das tardes aqui em casa: elas não reclamam, mas sinto que agradecem por ouvirem tanta coisa que costumo falar para elas pela manhã, inclusive, este hábito peguei de minha avó, Rita. Conversamos sobre como deveria funcionar a divisão de tarefas em casa no tempo da pandemia, ninguém chegou a nenhum ​​ acordo, mas eu não ligo, distribui as tarefas e espero que sejam devidamente cumpridas. A desculpa que mais ouvi foi de que “eu não usufruo deste recurso sozinho, então não vejo por que toda responsabilidade deva ser minha”, engraçado este argumento, até mesmo porque eu não costumo comer em todos os pratos, mas eu lavo todos eles, eu também não sou o único que ando pela casa toda, mas sou eu quem lavo o chão todos os dias, só que estes argumentos não funcionam mais.​​ 

Hoje eu estava refletindo sobre como seria a minha vida pós-quarentena, pós-pandemia, pós-surto. Será que eu ainda sei conversar com as pessoas e fazer amizade? Dançar eu sei, tá ai um hábito que fiz questão de continuar em casa, dançar e beber. A diferença é que em casa eu gosto de beber sozinho, o que não é tão bom, pois não sou o único a ingerir bebida alcoólica dentro destas quatro paredes. O presidente da república, o senhor Jair (que não tem nada de messias) Bolsonaro, que iria utilizar recursos públicos para um evento militar em frente à esplanada, ó god. Como se não bastasse, nosso querido presidente também está organizando um churrasco​​ no Palácio da Alvorada​​ para​​ 1,3 mil​​ convidados, durante o surto de​​ corona vírus. Jornais do mundo​​ todo o classificam como imprudente e irresponsável, mas nada irá acontecer. Afinal, o prato preferido do presidente é a PF (polícia federal). Queria entender esta estranha capacidade que tenho de transitar entre um assunto e outro enquanto grito com pessoas, alimento pets e escrevo para colunas, é claro que na outra vida eu devo ter nascido mulher, esta capacidade não existe nos homens, geralmente nos perdemos. Neste registro de quarentena, eu gostaria de deixar claro também que anseio mais pelo impeachment do presidente, do que pelo fim do isolamento, afinal, ​​ o isolamento é necessário, o presidente não.

 

Algumas noticias sobre o isolamento que vocês precisam conferir:

 

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Graduado em Língua Portuguesa, redação, literatura & Ciências sociais. Pós-graduado em literatura contemporânea e geopolítica. Blogueiro, ativista, pai, influenciador digital literário (@postliteral), fundador do @proximoparagrafo (proximoparagrafo.com.br), CEO majoritário do Post Literal (@postliteral), cinéfilo, fãs de gatos e apaixonado por filmes, séries e tudo o que tiver ligação com design.

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