RESENHA: Mais esperto que o diabo, por Napoleon Hill

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HILL, Napoleon. Mais esperto que o diabo. São Paulo: Citadel, 2014. 200p ISBN 9788568014004

Uma visão interessante acerca do sucesso e do fracasso que projetamos em nossa mente. Há neste livro um paralelo interessante aos preceitos e ensinamentos bíblicos que recebemos enquanto seres pertencentes à sociedade. Segundo Napoleon Hill, todo e qualquer pensamento negativo que nos coloque para baixo, à deriva do fracasso ou que nos faça pensar em nossos impedimentos e ausência de motivação – pode e deve – ser considerada “obra do diabo”. O autor não usa em momento algum uma linguagem bíblica, porém, todos os seus exemplos e alusões nos remetem a uma ideia de moral e ética cristã. Afinal, segundo Hill: “Sua única limitação é aquela que você impõe em sua própria mente [(p.33)]”.

Talvez, só talvez, as teorias de Hill façam sentido. Se pensarmos sob a ótica religiosa, iremos perceber que todas as formas de punições impostas pela sociedade para fazer uma pessoa se arrepender de determinado feito, é condenada sob a luz das escrituras sagradas, ou seja, seus atos dizem respeito exatamente acerca daquilo o que você é, porém, cabe a você muda-los, pois o perdão está espreitando-te a porta. Em linhas gerais, Hill, utiliza da figura do diabo criada pela sociedade: aquele que julga, coloca medo, condena, mente e engana, para fazer com que as pessoas reflitam acerca de seus atos, sonhos, desejos, vontades e idealizações, afinal “Eu consisto em energia negativa e vivo nas mentes das pessoas que têm medo de mim [(p.49)]”. O livro possui uma abordagem interessante, ele nos faz crer que as dicas aqui propostas, foram dadas e oferecidas com livre e espontânea vontade pelo próprio diabo, como se o próprio encardido manifestasse interesse repentino nos planos alheios, mais precisamente, no sucesso das pessoas, oferecendo dicas de como driblar seus medos, receios e anseios de lutar por um objetivo, sonho ou meta. Hill não comenta, explica ou deixa claro de que forma o diabo comunicou-se ou como ele obteve as respostas, apenas as compartilha com seus leitores. “mais espero que o diabo”, seria então, a tentativa do autor em driblar e oferecer em cima dos conselhos daquele que habita nas trevas uma alternativa à mais, uma saída e uma possibilidade de carreira, sucesso e vida. Afinal: “A perda das coisas materiais pode ensinar muitas lições necessárias, contudo nenhuma tão grande quanto a de não possuir controle sobre nada e de não ter certeza do uso permanente de qualquer coisa, exceto o poder do seu pensamento.[(p.169)]”. Há aqui uma síntese interessante do medo: ele nos paralisa. Pessoas com medo ou com medo excessivo, não criam planos, não investem e não correm atrás, afinal, é melhor permanecer com o que se tem, do que com a incerteza do conhecimento da perda ou do ganho do amanhã, em linhas gerais, eu pessoas com medo não crescem na vida, pois é através do medo que o diabo paralisa seus sonhos, infiltra-se em suas mentes, planta sua discórdia e gera arrependimento, sobretudo acerca de seus investimentos e de suas crenças em suas idealizações pessoais. O livro é interessante por diversos motivos, sobretudo, por nos fazer crer que o nosso maior inimigo durante o planejamento de uma ação, estratégia ou sonho somos nós mesmos. Nós nos sabotamos o tempo todo. Fatores externos nos influenciam facilmente, o medo nos paralisa, a incerteza nos corrói e o amanhã nos deixa entristecidos pela inconstância da vida, essa inconstante onda do vai e vem nos deixa cegos, porquê não sabemos como agir perante situações novas, afinal, novas situações exigem novas construções e idealizações, e se reinventar diariamente é uma tarefa com a qual nem todas as pessoas estão habituadas, afinal, o hábito toma conta da rotina humana. É muito mais fácil eu conseguir controlar uma situação com a qual estou habituado, do que me habituar à uma reinvenção constante de mim mesmo perante às diversas óticas e problemáticas que surgiram no cotidiano. Se já é difícil manter uma rotina, imagina recria-la diariamente? E pior, habituar-se e lutar para mantê-la todos os dias? Minha leitura acerca desta obra está completamente inserida no mercado editorial, não importando a área, mas você pode encarar estas dicas e aconselhamentos como um manual e ferramentas para qualquer área de sua vida, seja pessoal, profissional e até mesmo social.

Uma edição clara, muito bem editada e objetiva. Mais que um manual, um livro que nos leva à reflexões acerca da melhora de nós mesmos. Elevar o nosso ser ao máximo e acreditar em nosso potencial, não nos limitando ao medo e a possibilidade do fracasso, mas lutando diariamente para conseguir nos adaptar as diferentes problemáticas que podem surgir em nosso caminho.

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Blogueiro, escritor, poeta, professor, ensaísta, cinéfilo, viajante e filantropo. Estudante de Ciências Sociais em busca de uma compreensão mais assertiva do nosso local em sociedade.

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