CRÍTICA: La casa de Papel | Parte 3

la casa de papel terceira temporada poster 202x300 - CRÍTICA: La casa de Papel | Parte 3A parte três de La Casa de Papel nos faz ver o quanto a Netflix está empenhada em suas produções originais. O enredo de Alex Pina em parceria com o serviço de Streamming tem dado o que falar. Anunciada em primeiro de Abril de 2018, a série finalmente foi renovada e já encontra-se disponível na plataforma desde o dia 19 de Julho de 2019. Como a série possui um enredo básico e simples, ela cataloga-se dentro do gênero “assalto”, o que pode parecer meio clichê e repetitivo para telespectadores desatentos, e acabar resultando em um delay na transição de uma cena para outra, porém, há sim, diversos recursos que foram reaproveitados pelos produtores para enfatizar acontecimentos dentro da terceira parte da série, e alguns deles, bem visíveis já no episódio de abertura da série “We’re Back” (estamos de volta).

Ao contrário do que muita gente pensava, a terceira parte da série está bem fiel aos acontecimentos anteriores, isso pode ser notado já nos primeiros minutos do primeiro episódio, que é quando iremos rever Arturo Róman, um dos responsáveis por uma confusão das grandes na primeira e segunda parte da série. Aqui, Arturo abre a série dando uma palestra motivacional acerca de um livro que escreveu sobre sua experiência durante o roubo da casa da moeda da Espanha na primeira e na segunda parte da série, o que acaba abrindo o parêntese que introduz toda cadeia de acontecimentos que se sucede: como cada um ficou após ficar milionário? Por onde anda Rio, Tókio, Nairóbi, Helsinque e os outros? Dentre outras questões cruciais para o desenvolvimento. Como nas duas primeiras partes os assaltantes adotaram um posicionamento mais “politizado”, onde enfrentavam o sistema, aqui, na terceira parte, eles conseguem adquirir o apoio social, o que deixa a série ainda mais interessante. O gatilho que dispara o desenvolvimento de todos os acontecimentos ocorre nos primeiros quinze minutos de série: Rio e Tókio estão aproveitando suas férias em uma ilha paradisíaca e deserta, porém, Tókio está insatisfeita e decide que é hora de partir e seguir sua vida em meio às pessoas, ruas, vida e agitação, deixando Rio para trás, e é nesta falha de decisões que Rio acaba se tornando refém da polícia, então, a partir de agora, o roubo deixa de tornar-se um gesto político para se tornar um gesto político-humanitário, ou seja, não estão envolvidas as questões políticas que o grupo defende, bem como também a tarefa de resgatar Rio das garras da polícia. Realmente algumas partes da série parecem bem repetitivas, como por exemplo, a sala onde todos se reúnem para o planejamento da ação que mudaria suas vidas e a transição entre acontecimento e planejamento, que é feito de forma magistral. Há uma divisão política muito forte nesta terceira parte, alguns críticos até atribuem o acontecimento à polarização política que o Brasil vive atualmente na divisão entre movimentos de esquerda e direita, outros críticos preferem acreditar que o enredo foi desenvolvido muito antes destes acontecimentos, porém, tanto no lançamento da terceira parte, quanto no anúncio, o Brasil enfrentava um cenário político caótico, onde, de fato, boa parte da sociedade encontrava-se contra o sistema, e as manifestações políticas nas ruas já eram bastante frequentes.

A tarefa agora é uma só: resgatar Rio durante o processo de roubo do Banco da Espanha. Claro que novos personagens foram introduzidos com a retirada e morte de outros, como por exemplo, uma nova inspetora mulher para liderar a polícia agora que Raquel Murillo encontra-se ao lado do professor, e claro, contra o sistema. Também conheceremos os personagens que tomaram lugar na equipe do professor após a morte de Oslo e Moscou na primeira e segunda parte da série.

Tá, mas, e ai?  Vale a pena? SIM, vale muito a pena. A série mantem toda a sua originalidade em todas as perspectivas e sentidos possíveis. A série torna-se cansativa em algumas partes devido ao delay já comentado anteriormente que pode vir à ocorrer devido à transição de cenas e cenários que lembram muito a parte um e dois da série. Aqui, poderemos observar uma união ainda mais viva e intensa entre o professor e a inspetora Murillo, que agora, apresenta-se sob o pseudônimo Lisboa. A série mantém seu nível à altura do esperado, o que faz tudo fluir perfeitamente com seus recursos sonoros e gráficos de causar engasgos no telespectador. A tensão dos acontecimentos dentro e fora do banco estarão mais visíveis e mais palpáveis, o que fará com que o telespectador prenda-se de forma desesperada ao roteiro.

Ah, e como não notar que as mulheres desta terceira  parte estão muito mais empoderadas e fortes? Raquel Murillo, Mônica Gaztambide, Tókio e Nairóbi são destaques positivos, com exceção, claro, de alguns acontecimentos, mas nada que comprometa sua liberdade que está fluída, dispersa e visível neste roteiro. 

Ah, claro, há duas notas que valem a pena ressaltar e trazem um frescor para esta terceira parte: Berlim. Afinal, ele está vivo ou morto? Há muito o que poderíamos dizer a respeito, mas preferimos deixar para que vocês confiram por conta própria. E a segunda, claro, é a certeza de uma quarta temporada, visto que, o oitavo (último episódio) intitulado “À deriva“, disponibilizado pela Netflix deixou diversas aspas abertas que necessitam serem fechadas.

Confira a listagem dos episódios disponíveis:

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Foto: Wikipédia / Reprodução / Divulgação

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Blogueiro, escritor, poeta, professor, ensaísta, cinéfilo, viajante e filantropo. Estudante de Ciências Sociais em busca de uma compreensão mais assertiva do nosso local em sociedade.

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