Resenha: Molduras, por Leo Barbosa

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BARBOSA, Leo. Molduras. Penalux: Guaratinguetá, SP, 2019. 64p.: 21 cm ISBN: 978-85-5833-537-9

Molduras é um livro de poesia escrito pelo autor Leo Barbosa, publicado pela editora penalux no ano de 2019. A obra de Barbosa divide-se em duas partes, sendo elas: Molduras e retratos. O autor trabalha sua visão dentro de uma divisão clara e assertiva acerca das lembranças e do valor dos momentos que vivenciamos enquanto seres sociais. As lembranças que formam aquilo o que somos, o que desejamos, o que almejamos, e, sobretudo, as lembranças das quais nos esquecemos. Para que houvesse uma ênfase maior em suas palavras, o autor iniciou seu livro com uma nota de abertura interessantíssima, uma passagem da obra “cancioneiro”, de Fernando Pessoa, uma obra composta por poemas líricos, rimados, metrificados, e de forte influência simbolista. Confira:

 

Tenho tanto sentimento

Que é frequente persuadir-me

De que sou sentimental,

Mas reconheço, ao medir-me,

Que tudo isso é pensamento,

Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,

Uma vida que é vivida E outra vida que é pensada,

 E a única vida que temos

 É essa que é dividida

Entre a verdadeira e a errada.

 Qual porém é a verdadeira

 E qual errada, ninguém

 Nos saberá explicar;

E vivemos de maneira

 Que a vida que a gente tem

 É a que tem que pensar.

“Tenho tanto sentimento” – Fernando Pessoa, in “Cancioneiro”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há diversas reflexões a se tomar, pensar e decidir acerca de quadros e molduras, e varias delas, claro, foram selecionadas e citadas pelo autor durante a abertura de seu livro. Sábio. A primeira delas, e talvez a mais interessante, seja a ideia defendida pela poetisa portuguesa Florbela Espanca, ao dizer “A vida é sempre a mesma para todos: rede de ilusões e desenganos. O quadro é único, a moldura é que é diferente”, em outras palavras, o sentimento é inerente ao ser humano, portanto, seus caminhos podem ser iguais, mas a experiência, a vivência e o sentimento são valorativos de cada individuo de forma construtitva, ou seja, a sua vivência determina como você encara, vive, e enfrenta a realidade, e isso é algo individual, ou seja, o quadro é único (a vida, o sentir, o desejo e etc), mas a moldura é diferente (como você encara a realidade, suas lições, seu aprendizado).

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O autor abre-nos uma possibilidade de debate em sua escrita, ao questionar-se (nos): sou a moldura ou sou a pintura?. Ser a moldura implica-nos na possibilidade de vivenciar os momentos que dela fazem parte e estão registrados, já a pintura, possibilita-nos a incapacidade de ver-nos de forma consciente, vez que, na pintura, há quadros, mas não como nas fotografias, as possibilidades que antes existiam, aqui, não existem mais, não podemos e não poderemos sair do quadro para observar a pintura, uma vez que fazemos parte dela.

Em seu poema “incidente”, o autor finaliza dizendo-nos que tudo é (de)(com)posto em fatos. Um poema que fala abertamente da empatia das relações e das mudanças que sofremos no decorrer destas, porém, ao abrir os parênteses do questionamento acerca dos fatos, não há mais uma visão do que se há dentro do quadro, apenas fora, apenas o contexto, apenas aquilo o que se comprova mediante a visão, a comprovação, de que existem incidentes que nos fazem desexistir, afinal, somos decompostos em fatos.

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O livro é, sem sombra de dúvidas, uma escrita memorável. As referências encontradas nesta obra são tão louváveis quanto o trabalho de Leo Barbosa. Molduras pode – e provavelmente será – considerado um dos pilares reflexivos do cotidiano no quesito relações subjetivas. Uma gama de poesias que nos fazem pensar, refletir e agir sobre a vida. Indicado em todos os sentidos para todas as pessoas, principalmente para aquelas que debruçam-se sobre as questões ligadas ao espiritual, à valoração do eu e de minha existência, e claro, aos fãs de poemas com uma estética rica.

Ah, cabe aqui ressaltar o excelente trabalho desenvolvido pela Editora Penalux nesta obra, não somente pela capa, mas pela diagramação que encontra-se impecável.

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Blogueiro, escritor, poeta, professor, ensaísta, cinéfilo, viajante e filantropo. Estudante de Ciências Sociais em busca de uma compreensão mais assertiva do nosso local em sociedade.

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