[RESENHA #349] Alta tensão, de Harlan Coben

Uma mensagem anônima
deixada no Facebook da ex-estrela do tênis Suzze T põe em dúvida a paternidade
de seu filho. Na tentativa de descobrir o paradeiro do marido, que fugiu ao ler
a mensagem e de descobrir quem foi o responsável, ela pede a ajuda de seu
agente e amigo Myron Bolitar.  Tentando ajudar a amiga, Myron acaba
reencontrando Kitty, a mulher que fugiu com seu irmão, Brad, e o afastou da
família. Em pouco tempo em meio a suas buscas de ajudar a amiga e reencontrar o
irmão mais novo, Myron se vê preso numa rede de segredos obscuros que põe em
risco as pessoas que ele mais ama. Agora, só a verdade poderá salvá-las. Mas,
para que ela prevaleça, nenhuma mentira pode restar – seja ela de Suzze, Lex,
Kitty ou do próprio Myron.
Se você for novo por aqui, provavelmente não
terá ciência, mas eu já fiz algumas diversas resenhas/análises acerca das obras
de Harlan Coben, você pode busca-las na barra de tarefas fixada no topo deste
website. Bom,  como muitos de vocês
sabem, alta tensão é o décimo livro da série Myron Bolitar, o que é uma
tristeza para mim, porém, gratificante ao mesmo tempo, afinal, Coben nunca
desaponta ao descrever Myron, Win e Esperanza.
Personagens familiares estão de volta: Myron
(ex-jogador profissional de basquete lesionado em seu primeiro jogo
profissional e dono da MB Reps – uma agência que representa
“estrelas”), Windsor Horne Lockwood III (“Win” – rico e muito
perigoso), Esperanza Diaz (Parceiro de negócios da Myron, advogado, nova mãe e lutador
profissional aposentado). O leitor descobre como esses personagens estão
envelhecendo, entrando em diferentes fases da vida e enfrentando alguns dos
principais eventos da vida. Esta citação de Win no início do livro é uma
sugestão para o que virá: “As coisas boas são raras. Eles devem
ser valorizados porque sempre nos deixam cedo demais
”.  

O enredo centra-se em dois dos clientes da Myron: Suzze T (tenista profissional
aposentado) e Lex Ryder (marido de Suzze e membro da lendária banda de rock
HorsePower que inclui Ryder e Gabriel Wire). O enredo também se concentra
na família de Myron: o irmão mais novo Brad (distante de Myron nos últimos 16
anos), a esposa de Brad Kitty, seu sobrinho adolescente Mickey (que Myron nunca
conheceu) e seus pais, Al e El (Ellen). O leitor descobre como os
problemas dos clientes de Myron e sua família estão interligados.
Este é um daqueles livros que você não quer deixar de lado. Coben mantém
você adivinhando como o mistério vai acabar. Eu classifico o livro como um
5 porque é um bom mistério e como parte desta série é um dos melhores de
Coben. O futuro da série Myron Bolitar pode estar chegando ao fim, mas os
jovens leitores poderão ler uma série sobre o sobrinho de Myron, Mickey.

De todos os livros desta série, este tem sido o
mais incrível. Coben é o tipo de autor que amadurece junto com seus
personagens. Seu enredo continua vivo e intenso como sempre, mas as nuances e
percepções começam a se destacar e ganhar formas significativas neste último
livro da série. Uma série de acontecimentos repleto de todo mistério criado por
Coben nos prende até a última página, sem falar em como o autor consegue
transformar qualquer detalhe em uma instigante “pista”, que instiga o autor a
tentar desvendar os desfeches de sua narrativa, o que claro, sempre ocasiona em
erro, já que este roteiro é fantástico em todos os sentidos. O amadurecimento
dos personagens nesta narrativa também é algo notável, algo com o qual pude me
identificar, se bem que eu já senti um pouco deste amadurecimento nos livros
anteriores da série, sendo “quando ela se foi”, e “a promessa”.
Um roteiro maravilhoso e instigante roteiro
conduzido de maneira magistral por um mestre do suspense, Coben. Indicado para todos os fãs do autor, da série Myron Bolitar, e claro, para qualquer leitor que deseja perder-se em meio à narrativa deliciosa e tensa de Harlan Coben.
Algumas
citações desta obra:
“Muitas vezes nos é dito em tempos de luto
que o tempo cura todas as feridas. Isso é uma porcaria. Na verdade,
você está arrasado, chora, chora ao ponto de achar que nunca vai parar – e
então chega a um estágio em que o instinto de sobrevivência toma conta. Você
para. Você simplesmente não vai ou não pode mais “ir lá” porque
a dor era muito grande. Você bloqueia. Você nega. Mas você não
cura realmente. ” 
“Com todo mundo, você coloca essa fachada
para poder esconder o lixo e fazê-lo gostar de você. Mas com amigos
verdadeiros, você mostra a eles o cru e isso os faz se importar. Quando
nos livramos da fachada, nos conectamos mais. ” 
“Myron se lembrou de algo que seu pai uma
vez disse a ele: as pessoas têm uma capacidade incrível de estragar suas
próprias vidas.” 
“Não oramos em trincheiras porque estamos
prontos para nos encontrar com o nosso Criador. Oramos porque não
queremos. ” 
“Ele viajou de volta novamente, para quando
ela era aquela adolescente adorável que dominava a corte central, e sua
expressão favorita de ídiche voltou para ele com pressa: planos do homem, Deus
ri. Não foi uma risada gentil. “Kitty?” 
“Dimonte cuspiu na lata
novamente, tentando esconder sua óbvia linguagem corporal. “Ainda
estamos trabalhando nisso.” “Uh, vamos fingir por um breve momento
que eu não sou uma porca mentalmente desidratada.” 

 

Blogueiro, escritor, poeta, professor, ensaísta, cinéfilo, viajante e filantropo. Estudante de Ciências Sociais em busca de uma compreensão mais assertiva do nosso local em sociedade.

Site Protection is enabled by using WP Site Protector from Exattosoft.com