[RESENHA #330] Kaspar Hauser ou a Fabricação da realidade, de Izidoro Blikstein

WhatsAppImage2019 04 30at18.32.28 1024x576 - [RESENHA #330] Kaspar Hauser ou a Fabricação da realidade, de Izidoro Blikstein

O que é a realidade? Como a percebemos? De que
forma a linguagem nos permite conhecer o real? Neste livro, o professor Izidoro
Blikstein – um dos maiores especialistas em Linguística, Comunicação e
Semiologia do Brasil – mostra como o que julgamos ser real é, na verdade, uma
ilusão. Inspirado pela surpreendente história de Kaspar Hauser, o autor nos
revela que, de fato, a realidade é fabricada por uma rede de estereótipos
culturais, que condicionam nossa percepção e que são reforçados pela linguagem.
Assim, esta obra revisita e discute com profundidade um tema caro a diversas
áreas das Ciências Humanas: a relação entre língua, pensamento, conhecimento e
realidade.


Leiaumaamostragratis21 5 - [RESENHA #330] Kaspar Hauser ou a Fabricação da realidade, de Izidoro Blikstein
BLINKSTEIN, Izidoro. Kaspar Hauser, ou a fabricação da realidade. São Paulo: Contexto,
2018. 18 ed. 94p
Kaspar Hauser é um personagem real e enigmático
que tornou-se conhecido aos supostos quinze anos de idade na Alemanha, quando
apareceu em público em Nuremberg, em 1828. Hauser não se expressa em nenhum
idioma devido ao seu suposto isolamento social, o que também lhe prejudicou no
raciocínio e a diferenciação entre sonho e realidade. Sua história e seu
surgimento repentino e aparente na civilização causou especulações de
todos os tipos, tornando sua vida alvo de diversos estudos e biografias. Neste
livro, o professor Izidoro Blikstein – um dos maiores especialistas em
Linguística – mostra como o que julgamos ser real é, na verdade, uma ilusão.
Inspirado pela surpreendente história de Kaspar Hauser, o autor nos revela que,
de fato, a realidade é fabricada por uma rede de estereótipos culturais, que
condicionam nossa percepção e que são reforçados pela linguagem.
Tendo ciência de que a constituição do sujeito
dá-se por intermédio de suas práticas culturais e experiências de vida – o que
torna cada sujeito único —, podemos iniciar esta pequena análise afirmando que
a não correspondência de Hauser aos preceitos da normalidade socioculturais do
século XIX tendeu-se por meio de sua ausência de contato social, em outras palavras,
de seu isolamento social e comunicacional. Em 1974, o diretor Werner Herzog
lançou uma obra cinematográfica inspirada na vida de Hauser, intitulada: O
enigma de Kaspar Hauser
. A obra é uma das formas mais emblemáticas e
interessantes de se analisar o período histórico ao qual Hauser estava
submetido, bem como suas reais dificuldades na sociedade e a estranheza social
diante da ausência da capacidade de Hauser em executar tarefas cotidianas
consideradas simples.

Confira o Trailer:

Como Hauser é uma personagem que cresceu isolado
de ensinamentos básicos, ele terá que passar por um processo de socialização
através da linguagem, pela qual, a sociedade de Nuremberg o fará conceber a
representação social adequada aos parâmetros aceitos e impostos pela sociedade
do século XIX. Como Kaspar “cresceu” em um período onde o evolucionismo e o
positivismo encontravam-se em alta, se fazia necessário encaixar em
determinados parâmetros de um modelo civilizado.

 WhatsAppImage2019 04 30at18.32.27 576x1024 - [RESENHA #330] Kaspar Hauser ou a Fabricação da realidade, de Izidoro Blikstein
Hauser pode ser ilustrado como uma
figura desprovida de identidade, uma vez que sua vida foi privada de uma
convivência social. A sociedade do século XIX não reconhece Hauser, bem como
ele também não. Inicia-se aqui uma análise através do movimento racionalista
positivista e dos erros de organização social fundados em seus princípios. A
socialização não é uma decorrência biológica, mas a consequência de um longo
processo de aprendizado social, integrando o indivíduo a um coletivo que possuí
hábitos e costumes que formarão o seu caráter, postura e práticas culturais.

Através deste processo de socialização o indivíduo se integra e
passa a conhecer costumes e características, valores, normas e costumes de
forma que reprima todo e qualquer comportamento que não seja considerado comum
ou normal para a sociedade do século. Sendo assim, podemos dizer que Hauser não
é considerado, de certa forma, humanizado, mas sim, domesticado, uma vez que
seu caráter formou-se por meio de uma série de ensinamentos de uma sociedade
que necessitava que ele estivesse ajustado em seus parâmetros de aceitação.

A leitura é indicada para todo bom leitor que deseja aprofundar seus conhecimentos acerca de história, psicologia, sociologia ou qualquer área à qual está obra se destina. A obra também pode ser uma forma de explorar o passado e compreender a real significação entre significante e significado e a produção do eu no campo social entre o real e o imaginário.

Blogueiro, escritor, poeta, professor, ensaísta, cinéfilo, viajante e filantropo. Estudante de Ciências Sociais em busca de uma compreensão mais assertiva do nosso local em sociedade.

Site Protection is enabled by using WP Site Protector from Exattosoft.com