Canto Escuro: Uma história para além das investigações

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No dia 14 de maio, em Brasília, o escritor Daniel
Barros lança seu mais recente livro: o romance Canto Escuro.
Desde Mar de
Pedras
, seu romance anterior publicado há quatro anos, o autor vinha se
dedicando a essa nova trama. “Disse para mim mesmo”, comentou o escritor em
recente entrevista, “que se este não fosse meu melhor livro, eu não o
publicaria”.
 Diferente dos livros anteriores, Barros admite
que este romance tem um enredo mais denso, menos agradável ao leitor que busca
apenas o entretenimento na experiência da leitura. Nas palavras do autor, não
se trata de um livro “difícil de ler”, mas de uma narrativa que provoca
inquietações e, é bom que se diga, reflexões meio amargas.  
 “É a visão de um homem que vê o mundo à sua
volta se esboroar aos poucos, ao se deparar em sua repartição com um suposto
esquema de corrupção”, adianta Barros. “O personagem se sente impotente diante
dos fatos e descrente com o rumo dos acontecimentos. Paralelo a esse processo,
ele vê seu casamento ruir e sua vida ir perdendo o sentido”.
O
autor também se orgulha de ter se empenhado e não medido esforços para lapidar
o livro ao longo dos quarenta e oito meses que abrangeram sua gênese e
produção. “Não me poupei. Busquei cortar cada excesso, cada gordura, cada
desejo de panfletar, evitando assim deixar o autor transparecer mais do que os
personagens”, conclui.
Referências:               
Na
orelha do livro, a autora Cristiane Krumeauer destaca:
“Quem conhece a ficção policial de
Daniel Barros, sabe que ele tem tanta fluidez no discurso que acaba indo além
das investigações do crime. A descrição detalhada da cena inclui desde o toque
na textura lisa da parede à cortina que balança com suavidade ao vento, ou até
o palpitar aflito do coração da personagem, prestes a ser flagrada. O romance,
dividido em partes, não é linear, o que deixa a leitura mais instigante. O
leitor vê, com olhos curiosos e atentos, que essas partes se complementam,
oferecendo respostas às lacunas propositalmente jogadas ao ar. Integridade e
corrupção; ficção e realidade, dualidades que fazem parte do nosso dia-a-dia e
que estão presentes neste estupendo romance. Uma realidade nem sempre sedutora,
mas que prende o leitor do começo ao fim, retratada com maestria”. 
Amanda
Pessoa é outra autora que evidencia as qualidades deste romance. No texto de
quarta capa, ela diz:
Em Canto Escuro, a história de Paulo Henrique é contada de maneira tão
pungente, que a identificação do leitor com ele é inevitável, para o bem e para
o mal. Suas falhas, suas vontades, seus desejos, são todos retratados de forma
exageradamente humana e o leitor se sente convidado para acompanhar todas as
situações pelas quais ele passa, ainda que não aprove os meios que ele usa para
alcançar alguns fins. O enredo de Canto
Escuro
é construído de forma a impactar quem lê, algo que acontece com
maestria – a vontade de ser mais específica é grande, mas seria um pecado tirar
de você, colega leitor, a chance de descobrir facetas humanas presentes na
nesta obra e que são vistas em tantas pessoas, mas na maioria das vezes negadas”. 
Segue abaixo um
trecho do romance:
                                                        
– Boa noite,
doutor Paulo Henrique. Vai fazer serão?
– Pois é, ia
levar trabalho para casa, mas resolvi terminar aqui mesmo. […] Eu te aviso
quando estiver de saída.
– Não
precisa. Daqui vejo a luz da sua sala. Quando o senhor apagar, saberei que tá
saindo. Bom trabalho, senhor.
E dessa
forma o vigilante acabou alertando Paulo Henrique, que não se lembraria de
acender a luz de seu escritório antes de ir para a sala da diretora. Correu
para sua sala, acendeu a luz e demonstrando normalidade apareceu na janela, de
onde pôde ver e acenar para o vigilante lá embaixo. Mais rápido ainda chegou à
direção, por hábito, quase acendeu a luz, mas se conteve. Por sorte, Miriam era
uma secretária atenciosa e havia fechado as cortinas do escritório, o que
facilitaria o uso da lanterna sem despertar suspeita com os clarões. Abriu a
bolsa com os apetrechos e começou a montar o equipamento. Suas mãos suavam e de
imediato se arrependeu de não ter tomado uns tragos antes para se acalmar. [….] Ainda tomou cuidado para que o facho da lanterna não fosse em direção às
janelas. Não podia demorar muito, pois o vigilante poderia mudar de ideia e
resolver realizar a ronda com ele ainda no prédio. Terminado o trabalho,
verificou se tudo estava em ordem. Trancou o escritório e desceu para apagar a
luz da sua sala. Já no elevador lembrou: “Puta-merda! Esqueci a pasta!”.
Imediatamente começou a apertar os botões do elevador para ele parar em algum
andar antes do térreo. Finalmente, parou; ele saltou e correu pelas escadas. No
andar térreo, o vigilante, ao ver que o elevador descia, dirigiu-se para a
porta para recepcionar Paulo Henrique. Para a sua surpresa, o elevador estava
vazio.
Sobre o autor:
Daniel
Barros nasceu a 4 de outubro de 1968, na cidade de Maceió, estado de Alagoas,
filho de um oficial da Polícia Militar de Alagoas, Ivan Marinho de Barros, e da
professora Maria Tereza Costa de Barros. É engenheiro agrônomo formado pela
Universidade Federal de Alagoas (1992). Em Brasília, onde reside desde 1998, pós-graduou-se
em Segurança Pública, área em que atua profissionalmente há vários anos.
Foi
colaborador, como fotógrafo, de O jornal e Gazeta de
Alago
as.
É
autor dos romances O sorriso da
cachorra
(2011) e Mar
de pedra
(2015), ambos pela editora Thesaurus. Participou das
coletâneas Contos Eróticos, Enquanto
a noite durar
  (contos sobrenaturais) e Os bastidores do crime (contos
policiais, livro do qual foi organizador). Integra as antologias poéticas Sombras & desejos, Toda forma de amor e  Confissões.
É
membro do sindicato dos escritores DF.
Serviço:
Canto escuro, romance (244 p., 42 reais). Daniel Barros – Editora Penalux.
Disponível em:
Lançamento: Dia 14 de maio,
às 19h, no restaurante Fausto & Manoel, em Brasília/DF.

Blogueiro, escritor, poeta, professor, ensaísta, cinéfilo, viajante e filantropo. Estudante de Ciências Sociais em busca de uma compreensão mais assertiva do nosso local em sociedade.

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