[RESENHA #322] O sal do leviatã, de Alexandre Guarnieri

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SINOPSE
GUARNIERI, Alexandre. O sal do leviatã. Guaratinguetá, SP: Editora Penalux, 2018. 108p

O fantástico e perigoso mar sobre
o qual viajou Odisseu, Eneias e Vasco da Gama, daquele em que nasceram e
reinaram deuses, e onde vivem divinas e monstruosas criaturas, é o objeto
artístico do novo livro de Alexandre Guarnieri, O Sal do
Leviatã
. O autor, já muito bem-sucedido com seu premiado Corpo de
Festim
, aprimora sua poesia de maquinaria, trazendo a mesma carga
de realismo bruto e ordenação. Em seu novo livro, o autor parte em uma
peregrinação pela compreensão dos mecanismos marítimos, de modo a tentar
encontrar uma gênese mística, que dê ordem ao caos, a qual promete os mitos e
as religiões. Guarnieri não deixa de lado seu estilo gráfico de escrever,
trazendo materialidade à sua poesia, sabendo ocupar os espaços que as páginas
lhe reservam, assim como os oceanos preenchem a Terra. O autor faz uso de ricas
e inusitadas metáforas, a partir de um tema que pode facilmente cair nas garras
da ingenuidade e senso comum, e completa-as com ritmo e sonoridades precisas.
Acompanhado de um sóbrio prefácio da escritora e doutora em Literatura
Comparada pela UERJ, Alexandra Vieira de Almeida, O Sal do
Levitã
 produz uma experiência lírica, com sensações épicas,
mergulhadas no inovador estilo único de Alexandre Guarnieri.
 📖📖📖📖📖📖📖
RESENHA


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O sal do leviatã é um
livro de poesias de autoria do escritor e historiador Alexandre Guarnieri,
publicado pela Editora Penalux no ano de 2018. Guarnieri é prolífico na arte da
escrita, tendo conquistado o primeiro lugar no prêmio Jabuti, no ano de 2015,
com o título “corpo de festim”, publicado pela Confraria do Vento.
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Desenho de Pierre Denys de Montfort (1801)
 representando um Kraken.
Antes de iniciarmos
qualquer comentário ou consideração, devemos nos ater à figura principal da
escrita de Guarnieri: O leviatã descrito no título da obra. O leviatã é um
peixe feroz citado na Tanakh, ou no
antigo testamento. É uma criatura que, em alguns casos, pode ter interpretação
mitológica, ou simbólica, a depender do contexto em que a palavra é usada. Nas
diversas descrições no Antigo Testamento, ele é caracterizado sob diferentes
formas, uma vez que se funde com outros animais. Formas como a de dragão
marinho, serpente e polvo também são bastante comuns (semelhante ao Kraken).
“Poderás tu, com um simples anzol, pegar
o Leviatã,  ou prender-lhe a língua com uma corda?” Jó, 41:1

Guarnieri tece uma linha tênue sem pausa e sem vírgulas em busca de uma
compreensão assertiva acerca de uma gênese, de uma capacidade de reconhecimento
mítico da vida. Suas linhas trazem uma simbologia e uma carga mitológica
extremamente forte, onde podemos notar uma capacidade descritiva que vai além
da ótica religiosa de seu protagonista, nota-se que muito de sua formação
histórica contribuiu de forma significativa para a delineação de seus versos,
há muito que se refletir em seus manuscritos. Guarnieri trabalha não apenas com
a capacidade descritiva que a poesia lhe proporciona, mas em cima das
particularidades e desdobramentos de sua criação, através da ótica de seu
protagonista e das nuances que fazem o sal do leviatã ser incrível de se ler.
Leiaumaamostragratis21 2 - [RESENHA #322] O sal do leviatã, de Alexandre Guarnieri
Grandes poemas possuem duas particularidades que
tornam a experiência do leitor única, sendo ela: a capacidade descritiva do
autor com relação ao tema proposto e a profundidade de suas palavras. Guarnieri
possui ambas. Nesta obra, o autor consegue trabalhar de forma forte, profunda e
impactante. Ter o mar como pano de fundo e como ponto principal de impacto é um
risco. Assim como a água não detém controle sobre si, a escrita também não,
ambos tornam-se imprevisíveis, mas o resultado é satisfatório.

O que pode se esperar de uma série de poemas que
narram de forma objetiva toda uma formação de vida histórica? Há quem diga que
conhecer o mar por onde se navega torna a viagem mais fácil, eu diria que
quanto mais se conhece de algo, mais cômodo torna-se, pois o hábito nos torna
presunçosos diante dos desafios. Mas aqui não há hábito, não há sequer uma zona
de conforto, tudo se refaz a cada página, tudo se liga e tudo se agita a cada
linha lida. Como lidar com a profundeza das águas, dos mares? Como nadar por
entre estas linhas? Este é um desafio que vos faço.

O primeiro Jonas na barriga
Da baleia para roubar-lhe
O próspero óleo, o espermacete,
A cera inteira (para acendê-la),
A alma salgada desentranhada
Da carcaça, até que roubá-las
Seja agradável (abrigo no mar
Gelado), como a turba faminta
De bezerros roubaria das tetas
Ensanguentadas o leite de tantas
Madrastas e amas escravizadas;
 📖📖📖📖📖📖📖
AlexandreGuarnieri - [RESENHA #322] O sal do leviatã, de Alexandre GuarnieriO AUTOR
Alexandre Guarnieri (carioca de 1974) é poeta,
historiador da arte (UERJ) e mestre em tecnologia da imagem (ECO-UFRJ). É um
dos editores da revista eletrônica Mallarmargens. Lançou Casa das Máquinas
(2011), Corpo de Festim (2014), livro ganhador do 57o Jabuti (categoria poesia)
e Gravidade Zero (2016).

Blogueiro, escritor, poeta, professor, ensaísta, cinéfilo, viajante e filantropo. Estudante de Ciências Sociais em busca de uma compreensão mais assertiva do nosso local em sociedade.

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