[RESENHA #246] Orgulho e Preconceito, por Jane Austen

ORGULHO E PRECONCEITO. AUSTEN, Jane. Rio de Janeiro: Penguin
Companhia, 2011, 576p. // R$42,90
Este livro merece
todas as estrelas que um universo de classificações possam lhe oferecer.
Orgulho e preconceito foi o segundo clássico que li na vida, tendo sido Alice
no país das maravilhas
, o primeiro. Quando li as aventuras descritas por Lewis
Carroll, fiquei me perguntando por dias, se todos os clássicos que eu tinha em
casa superariam as aventuras de Alice no universo paralelo. Então,
pesquisei diversos livros e me encontrei com Pride and Prejudice na
sala de aula enquanto estudava teoria literária, e claro,
subsequentemente me encontrei com esta obra no catálogo do grupo Companhia das
letras. Este
livro realmente me cativou em todos os sentidos, e hoje posso dizer que ele se
tornou o romance que mais amo no universo da literatura.
Orgulho e preconceito
é um romance ambientado no século XIX, onde nele Elizabeth Bennet (nossa
amabilíssima protagonista) lida com os problemas relacionados à cultura, moral
e casamento na sociedade aristocrática. Bennet é uma das cinco filhas de um
fazendeiro que reside em Meryton (Hertfordshire).É nesta obra que nasce um dos
protagonistas mais amados (ou não) de Austen: Mr Darcy. O livro ainda é um dos
romances mais adaptados desde seu lançamento, sendo preferido em todos os
sentidos pela critica literária por sua originalidade.
O que mais me chama à
atenção nesta obra é a humanidade com a qual Austen trabalha e contrasta em
seus personagens. São nítidas suas preocupações, suas vaidades, seus medos e
inseguranças, é tudo tão palpável que qualquer um identifica-se ao ler esta
narrativa. Impossível não dizer que Austen escreveu uma obra que cativa-nos em
todos os sentidos possíveis da palavra. Este é o tipo de obra que não descarta
capítulos ou páginas, Austen construiu um império em um livro apenas, construiu
personagens que realmente fazem parte de um enredo construtivista, onde cada um
possui suas particularidades e as somam em um todo, tornando a obra grandiosa.
Antes de falarmos
sobre o enredo desta obra magnífica, vamos falar da frase que impulsiona toda
história de Austen, sendo ela: “É uma verdade universalmente conhecida
que um homem solteiro que possua grande fortuna deve estar à procura de uma
esposa
”.
O romance narra à
chegada de Mr. Bingley com suas irmãs a uma residência próxima da casa dos Bennet
— onde mora nossa amada protagonista Elizabeth — e junto consigo trazem um
amigo, misterioso, repleto de desconfiança: Mr. Darcy. É óbvio que a família
recém-chegada é muito bem recepcionada pela sociedade local e de cara
estabelece conexões com o novo ambiente, claro que o mesmo não pode ser dito de
Mr. Darcy, que insiste em tomar uma postura de superioridade. É claro que as
irmãs ficam extremamente felizes com a chegada dos “novos partidos” na cidade,
e todas, absolutamente todas ficam animadas com a ideia de se casar com um
destes recém-chegados. Elizabeth, como qualquer protagonista, apaixona-se por
alguém que não é muito afetuoso e isso inicia a fase de transição da postura
retraída da nossa Bennet para uma mulher espirituosa, bem aventurada e cheia de
si.
O gosto pela dança
atrai as jovens Bennet ao encontro de Mr. Bingley, que claro, sente-se com
vontade de conhecê-las e apresenta-las a sua família e ao seu amigo, Mr. Darcy.
É neste ápice da narrativa que iremos definir quem iremos amar (odiar, ou
ambos) até o final do enredo. Os diálogos repletos de orgulho descritos aqui
são intensos e requerem atenção
Há quatro personagens
pelos quais eu me apaixonei, e provavelmente você (se arriscar a leitura)
também se apaixonará: Elizabeth Bennet, sua irmã Jane, Mr. Darcy e Sr. Collins
(aquele que nós amamos odiar). O livro é um retrato incrível do século XIX,
aqui Austen trabalha toda sua visão de mundo acerca dos relacionamentos de uma
civilização aristocrata e seus impactos sobre a vida de cinco irmãs.
O período onde
ocorrem todos os fatos narrados por Austen é o que me fascina e dá vida aos
seus personagens. Enquanto Austen escreve sobre aristocracia, interesses,
casamento e sentimentos, ela também escrevia sobre seu desejo de possuir uma
protagonista que fosse diferente das outras mulheres da época, ou seja, ela
queria uma mulher que fosse livre de padrões, então deu vida à Elizabeth
Bennet. Naqueles tempos era normal as mulheres casarem-se e adquirirem status
referentes ao marido, pai ou tutor, só que nossa amadíssima Bennet não dá a
mínima para estes padrões, realmente, orgulho e preconceito casam-se
perfeitamente com Elizabeth Bennet. Um dos pontos interessantíssimos nesta obra
é a construção do ambiente retratado, aqui a autora trabalha em cima de
questões que antes eram regidas apenas por homens, e o livro é repleto de
questões ligadas a  questões de moral, ética cívica e políticas públicas,
atrevendo-se a escrever sobre questões das quais não participava naquele
período, ainda que pertencesse à nobreza.
Naquele tempo, o
homem era a figura chave predominante. A mulher casa-se com um homem culto, de
boa índole, riquezas e nome. Este, passa a ser o responsável por manter as
aparências de um bom relacionamento, e seu nome passa a ser o principal ponto
de referência da família.  E não preciso dizer que este livro veio para
quebrar este tabu com uma protagonista inteiramente empoderada. 
Uma leitura realmente
compensadora, apaixonante, indispensável e inesquecível.
Uma leitura realmente
hipnotizante, apaixonante e atrevo-me a dizer: incrível em todos os
sentidos. 
Tá, mas o que tem de tão interessante
nesta obra? 
Para
responder a esta pergunta terei que contar brevemente uma experiência pessoal:
Meu primeiro contato com chamada “alta literatura”, foi em meados de 2016, mas
somente no ano passado tive conhecimento acerca das obras de Jane Austen, que
aparentemente, estavam vendendo como água gelada no deserto. Meu professor de
teoria literária me propôs que talvez fosse bom adquirir o livro e lê-lo
intensamente, afinal, a histórias intensas requerem leitores ávidos e intensos
na mesma proporção, e ao ler esta narrativa eu consigo pautar diversos motivos
pelos quais ela é única e diferente de tudo o que já li anteriormente: O
primeiro ponto, talvez, seja a originalidade de Austen e a forma como descreve
e constrói seus personagens. “Orgulho e
preconceito
” é apenas um de seus incríveis livros, sendo todos muito bem
elaborados e descritos. Aqui, iremos encontrar diálogos bem construídos, uma
sequência de “clímax”, e uma cadeia interminável de acontecimentos que se
unificam de forma visceral ao final de cada ponto da narrativa.  Nesta obra Austen consegue introduzir temas de
extrema relevância como pano de fundo e/ou rota para o desenvolvimento de um
clímax. Austen tralha incansavelmente acerca do crescimento do caráter e
moralidade acerca dos jovens, a importância (ou ausência dela) do dinheiro na
vida das pessoas e sua visão acerca de titulações, críticas do mundo feminino e
à sociedade aristocrática.

 

Esta obra
não tem nada de igual aos outros livros disponíveis no mercado dentro do mesmo
gênero, acredito que Austen trouxe uma inovação acerca da criação de um enredo
e do desenvolvimento do caráter e moral de seus personagens. Este é um dos
poucos livros que li que possui ecos até os dias atuais. Os bennet marcam
qualquer um, e disso, eu não tenho dúvida. 

Para
responder a esta pergunta terei que contar brevemente uma experiência pessoal:
Meu primeiro contato com chamada “alta literatura”, foi em meados de 2016, mas
somente no ano passado tive conhecimento acerca das obras de Jane Austen, que
aparentemente, estavam vendendo como água gelada no deserto. Meu professor de
teoria literária me propôs que talvez fosse bom adquirir o livro e lê-lo
intensamente, afinal, a histórias intensas requerem leitores ávidos e intensos
na mesma proporção, e ao ler esta narrativa eu consigo pautar diversos motivos
pelos quais ela é única e diferente de tudo o que já li anteriormente: O
primeiro ponto, talvez, seja a originalidade de Austen e a forma como descreve
e constrói seus personagens. “Orgulho e
preconceito
” é apenas um de seus incríveis livros, sendo todos muito bem
elaborados e descritos. Aqui, iremos encontrar diálogos bem construídos, uma
sequência de “clímax”, e uma cadeia interminável de acontecimentos que se
unificam de forma visceral ao final de cada ponto da narrativa.  Nesta obra Austen consegue introduzir temas de
extrema relevância como pano de fundo e/ou rota para o desenvolvimento de um
clímax. Austen tralha incansavelmente acerca do crescimento do caráter e
moralidade acerca dos jovens, a importância (ou ausência dela) do dinheiro na
vida das pessoas e sua visão acerca de titulações, críticas do mundo feminino e
à sociedade aristocrática.
Esta obra
não tem nada de igual aos outros livros disponíveis no mercado dentro do mesmo
gênero, acredito que Austen trouxe uma inovação acerca da criação de um enredo
e do desenvolvimento do caráter e moral de seus personagens. Este é um dos
poucos livros que li que possui ecos até os dias atuais. Os bennet marcam
qualquer um, e disso, eu não tenho dúvida.

 

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Graduado em Língua Portuguesa, redação, literatura & Ciências sociais. Pós-graduado em literatura contemporânea e geopolítica. Blogueiro, ativista, pai, influenciador digital literário (@postliteral), fundador do @proximoparagrafo (proximoparagrafo.com.br), CEO majoritário do Post Literal (@postliteral), cinéfilo, fãs de gatos e apaixonado por filmes, séries e tudo o que tiver ligação com design.

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